Pesquisador nega estudo da Ufrgs sobre mineração no Guaíba

Ao contrário do que foi divulgado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) no último dia 24, o Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ceco/Ufrgs) jamais realizou projeto voltado à extração de areia no Lago Guaíba. A informação foi desmentida pelo professor Elírio Toldo Jr., do Instituto de Geociências da Universidade. “Chegamos a ser procurados entre 2012 e 2013 por técnicos da Sema (ainda na gestão de Tarso Genro), para os quais apresentamos uma proposta de estudos sobre a capacidade de suporte do Rio para fins desta atividade. Entretanto, nunca recebemos um retorno, nem um novo convite para prosseguir na execução desta pesquisa”, declara o docente. Ele destaca ainda que o Ceco/Ufrgs já alertou a necessidade da realização destes estudos para que sejam evitados problemas de impactos desse tipo de obra na orla e no canal do rio, em nota publicada na revista do CREA, em 2015.
Área demarcada pelos interesses dos mineradores no Guaíba já ultrapassa milhares de hectares.
Área demarcada pelos interesses dos mineradores no Guaíba já ultrapassa milhares de hectares.

Mesmo assim, ao apresentar a proposta de Zoneamento Ambiental, a Secretária do Meio Ambiente, Ana Pellini, afirmou que o levantamento prévio havia ocorrido durante o último ano, com apoio de equipes da Sema, mas também assinado por técnicos do Departamento Nacional de Produção Mineral, da Fundação de Economia e Estatística (FEE) e pesquisadores da Ufrgs ligados ao Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica e ao Instituto de Pesquisas Hidráulicas. O material apresentado o Comitê do Guaíba ainda não entrou em votação – mas se aprovado, ainda será enviado ao Conselho Estadual do Meio Ambiente. No resumo do levantamento, a Sema defende que cerca de 30% dos 490 km² do Guaíba podem ser explorados para extração de areia.

Mas sua divulgação gerou polêmica e resultou no envio de uma nota à imprensa, por parte de Toldo Jr., afirmando que esta “informação está errada”. Ele esclarece que os mapas de fundo do Guaíba que foram preparados e publicados pelo Ceco/Ufrgs entre 1999 e 2000, atenderam a uma demanda do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), através de um convênio, para a realização um estudo voltado para a interpretação hidrodinâmica do Guaíba.

“A finalidade era compreender a qualidade da água daquele ambiente, e não a possibilidade de extração de areia”, reforça o pesquisador. Toldo Jr. pondera que o estudo, de fato, passou a ser referência para várias outras questões relacionadas ao Guaíba. No entanto, explica que, no caso da mineração, o mesmo não é válido. “Estes mapas não apresentam informações precisas para estes fins (extração de areia), gerando incompatibilidade no uso para o zoneamento ambiental”, destaca. O professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas explica que o material não contém dados sobre o tipo de sedimentos arenosos (quanto à composição e tamanho do grão de areia), nem a extensão precisa da cobertura de fundo, nem sobre a quantidade ou o volume da areia contido nestes depósitos para fins de extração de areia.

A titular da Sema argumenta que deverão ser feitos estudos para análise do sedimento depositado no fundo do Lago e que o material do Ceco/Ufrgs apenas integra parte do inventário feito para a formatação da proposta ao Comitê do Lago. “Queremos avaliar a possibilidade de encomendar um estudo sobre os sedimentos ao Centro de Geologia da Universidade, mas vai depender do orçamento que irão nos repassar”, afirma a secretária.

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