MP vai investigar material tóxico encontrado às margens do Rio Caí

Rio Caí, na Região Metropolitana, está entre os oito mais poluídos do país.
Águas são poluídas por esgoto e plantações em áreas de preservação.

Com quase 300 quilômetros de extensão, o Rio Caí, no Rio Grande do Sul, é o oitavo mais poluído do Brasil. Logo na nascente, na Serra, surgem os primeiros problemas de danos ambientais, com plantações nas áreas de preservação. As águas são poluídas também pelo esgoto que é despejado sem tratamento.  Ao todo, 41 municípios fazem parte da bacia do Rio Caí. O Ministério Público pretende investigar o caso, como mostra a reportagem do Jornal do Almoço da RBS TV (veja o vídeo).

É em São Francisco de Paula, na Serra gaúcha, que nasce o Rio Santa Cruz, que mais adiante se transforma no Rio Caí. Logo na nascente aparecem os primeiros sinais de danos ao meio ambiente. Segundo o Código Florestal Brasileiro, as nascentes são áreas de preservação permanente, e, qualquer tipo de atividade deve respeitar uma distância mínima de 50 metros. No entanto, ali as plantações invadem o local que deveria ser preservado.

Os problemas começam quando o esgoto invade o Rio. A qualidade da água diminui conforme  aproximação com a Região Metropolitana. “Quanto mais para cima, melhor a qualidade da água”, explica o biólogo Jackson Muller.

Quando chega a Montenegro, já no Vale do Caí, a qualidade já é regular. “Essa alteração da qualidade que colocou o Caí entre os oito mais poluídos se deve basicamente ao esgoto doméstico. Aquele esgoto que o município não trata, que as estacoes estão instaladas, mas não está operando. E em muitos pontos do Caí eleva para a classe 4, que é a pior condição de qualidade de água”, detalha a engenheira química Tânia Regina Zoppa, presidente do Comitê Bacia do Caí.

Em Triunfo, a situação é também é preocupante. Ao colher amostras de água, foram constatados altos índices de condutividade mais alta. Entre eles em uma vala em uma área de mata, onde está localizada a Superintendência de Tratamento de Efluentes Líquidos (Sitel), órgão da Corsan que trata a água que vem do polo petroquímico.

“Tem mais de 300 hectares pra justamente fazer a aspersão desses efluentes tratados no meio ambiente, no solo com vegetação, tem eucalipto, é plantado grama, ou seja, me chama atenção alguns córregos que teriam essa condutividade”, diz o diretor técnico da Corsan Eduardo Barbosa Coelho, que se mostrou surpreso o resultado e disse que não há como ocorrer vazamentos.

Para descobrir o que poderia estar gerando essa condutividade tão alta, foram coletadas água e a lama de dentro da vala. Foram três coletas em dois dias diferentes e os materiais encaminhados para análise em laboratório credenciado pela Fepam. Os resultados mostram que alguma reação química está retirando o oxigênio da água. Também foram encontrados índices acima do permitido dos metais: alumínio, ferro e manganês, além de bário, um metal tóxico.

O promotor Paulo Eduardo Vieira, que coordena a região da bacia do Caí, tomou conhecimento e diz que o Ministério Público vai tomar providências imediatas para investigar de onde vem a poluição. Segundo ele, um inquérito irá apurar as responsabilidades e uma auditoria ambiental será aberta para saber de onde estão saindo os contaminantes em uma área de preservação permanente, às margens do rio.

Fonte: http://tinyurl.com/jet6lgs

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