Maldita Samarco

O químico Flávio Lewgoy morreu sábado passado aos 89 anos em Porto Alegre, onde foi perito da Polícia Técnica, professor da UFRGS e presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), criada em 1971 pelo agrônomo José Lutzenberger.
Irmão do ator José Lewgoy, falecido em 2003 aos 82 anos, Flávio lutou contra os agrotóxicos, os transgênicos, as dioxinas e os metais tóxicos diluídos na água dos rios e lagos. Ele achava que tudo isso dava câncer. Morreu de câncer.
Não era um orador brilhante como José Lutz nem um temperamental como Augusto Ruschi. Ao lado de Paulo Nogueira Neto, foi a voz mais técnica do ambientalismo dos anos 1970 para cá. Ajudou a construir a legislação ambiental brasileira. Com sua morte, encerra-se um dos primeiros capítulos do movimento ecológico nativo, que anda meio extraviado no meio de uma multidão de causas e temas.
Para fixar na memória dos leitores um pouco do que pensava e sentia Flávio Lewgoy, transcrevemos abaixo o depoimento dele ao livro “Pioneiros da Ecologia” (Já Editores, 2008, 2a.ed), que condensa duas entrevistas dele, uma gravada no dia 4 de outubro de 2001 e outra em fevereiro de 2006.
Início no ambientalismo
“Descobri a Agapan em 1973. A minha área no ambientalismo diz respeito aos efeitos ecotóxicos de substâncias químicas, o desequilíbrio e as doenças causadas por elas.
Viver num mundo químico tem muitas desvantagens, e eu entrei no movimento ambiental primeiro porque, como professor da Universidade Federal, já pensava numa maneira de alertar a população sobre a presença de substâncias tóxicas nos alimentos. E me dediquei com entusiasmo a isso, porque queria compartilhar o que aprendi com a população que pagou minha formação na Universidade.
Eu não queria só escrever e realizar trabalhos em laboratório. Queria contribuir em alguma coisa e via que as pessoas não tinham conhecimento. Essa posição era vista com reserva pelo meio acadêmico. Mas eu estava fazendo um trabalho sobre metais tóxicos e vi que na composição do carvão há metais venenosos. E descobri que nosso carvão é fonte de muitos metais nocivos, uma verdadeira enciclopédia: arsênio, berílio, cádmio, chumbo, cromo, tório, urânio. Sabia que havia grandes projetos de instalar usinas termelétricas e decidi denunciar isso. Comecei a botar a boca no mundo, a fazer campanha contra as usinas que queimam carvão – faço isso até hoje.
É importante destacar que era época da ditadura militar, pela repressão as pessoas não podiam falar o que pensavam. Por outro lado, quando alguém falava imediatamente a imprensa caía em cima, queria ouvir, divulgar, e o movimento ambiental buscava isso mesmo, não por oposição ao governo, mas para ser ouvido.
Começaram a me chamar para entrevistas na TV, rádio, jornal. Como não podiam criticar o governo, os repórteres me procuravam, por qualquer coisa já vinham me entrevistar. Fiquei até meio deslumbrado pela notoriedade fácil.
Agrotóxicos
Depois comecei a tratar de outras coisas, no campo da poluição ambiental… E veio à tona a questão dos agrotóxicos. Praticamente só quem falava eram a Magda Renner, o Lutzenberger e eu. Éramos os três. Havia outras pessoas, claro, mas eles não tinham tanta visibilidade, não se achavam tão bons para falar.
Outros tinham medo. Eu sempre tive essa facilidade de conversa por ser professor,
aprendi a falar de maneira inteligível. Foi uma iniciativa do Germano Bonow (secretário da Saúde do RS) que abriu as portas para a gente discutir os agrotóxicos. Descobriram agrotóxicos no Guaíba e ele não teve dúvidas: divulgou, mandou para a imprensa, isso em 1977 ou 78.
Começaram as discussões da Lei dos Agrotóxicos. A Magda Renner, o Caio Lustosa, eu, o Salzano Barreto e mais alguns fizemos um projeto e o governador vetou. Depois passou pela Assembléia Legislativa e a lei saiu. Pouco tempo depois, nove estados apresentaram leis semelhantes, baseadas na nossa.
Em 1985, o presidente José Sarney estabeleceu uma comissão para redigir a lei federal dos agrotóxicos. O deputado Antenor Ferrari me perguntou se eu queria ir, eu fui e se não tivesse ido teria sido outra coisa. Foi a primeira vez que eu fiz política.
Não chegávamos a ter uma maioria dentro da comissão, faltavam um ou dois votos para sermos maioria. Mas eu descobri quais eram os objetivos deles lá.
Tinha representantes de uma ONG do Pantanal que eram dos donos de fazendas e eles não estavam interessados em matar jacaré ou poluir, estavam com medo que fosse algo que resultasse em prejuízo deles. “Tanto quanto eu saiba, os agrotóxicos prejudicam vocês também”, eu disse. E a ONG  se comprometeu a votar conosco.
Faltava o voto do representante da indústria de produtos veterinários, que não se conformava que os produtos veterinários fossem considerados agrotóxicos. A primeira reunião foi braba. Havia representantes das cooperativas paulistas que votavam com a indústria química e gente que estava em cima do muro. Aí eu comecei a falar. Falei com o representante da indústria veterinária, disse que não estávamos com a intenção de classificar os produtos veterinários como agrotóxicos, e ele passou a votar conosco. Eu fiz política.
Tudo aquilo que nós propusemos passou, ficamos com uma pequena maioria. Se não fosse o [Pedro] Simon essa lei não teria saído. Ele era ministro da Agricultura e na primeira reunião o representante do ministério não deixava nem a gente falar.
Telefonamos para o Simon, que falou com o representante e ele decidiu nos dar palavra e nos deixar falar. Eu, como geneticista, introduzi uma cláusula que agrotóxico mutagênico, cancerígeno, não podia ter registro.
Lutzenberger e a Agapan
Chegou um ponto em que o Lutzenberger não era mais apenas um personagem gaúcho, era uma figura nacional, mundial. Ele falava no senado norte-americano, no parlamento alemão, ia almoçar com o Príncipe Charles, era amigo do homem da Teoria Gaia, o Lovelock.
Uma noite recebi em casa um grupo de integrantes da cúpula da Agapan, que me pressionaram a candidatar-me a presidente. “Não quero ser presidente, o Lutzenberger vai continuar.””Não, o Lutzenberger agora é personagem internacional, fica tu de presidente”. Mas eu não quero”. Ficaram duas horas lá, eram dez, doze pessoas. A pressão foi muito grande. Ficaram ali martelando, até que cedi:  Aceitei, mas foi uma temporada muito difícil.
Ser presidente dá trabalho e incomodação, todo mundo me cobrava. O [então prefeito de Porto Alegre) Alceu Collares me interpelava: “Mas como a Agapan fez isso?” — Mas a Agapan não fez isso, dr. Collares. Jornalista me xingava: “E o que a Agapan está fazendo?” — A Agapan não está fazendo nada. Pensa que somos o quê? Milagreiros?”. Eu dizia: “A Agapan não é órgão ambiental”.
Fiquei dois mandatos. O terceiro não aceitei. Aí assumiu o Celso Marques. Na época, o Lutzenberger não levou a coisa muito pacificamente. Até continuou meu amigo, mas a Agapan ele não quis mais. A consciência não me acusa de nada, porque na verdade a Agapan tinha ficado às moscas.
O Lutzenberger achava que afinal ele tinha criado a Agapan, era uma portavoz dele… Mas não era, a Agapan já não era dele, pertencia ao Rio Grande do Sul, ao Brasil.
Tanto que existiam Agapans em muitos municípios. Uma vez eu disse para ele (eu era vice-presidente): “Olha, Lutz, acho bom a gente pedir para essas Agapans mudarem de nome, estão fazendo horrores aí”.
Ele concordou, mandamos uma mensagem para as entidades: “Assumam sua identidade local, não queremos mais que vocês sejam Agapan disso ou daquilo”. Uma, por exemplo, estava pregando o uso de agrotóxico para exterminar o capim que crescia nas ruas. E outras sacanagens que a gente sabia.
O Lutzenberger não tinha emprego público, era direito dele vender sua força de trabalho – ele tinha muitas despesas para financiar, secretárias, viagens. E trabalhou para a Riocell (depois Aracruz Celulose, hoje Celulose Riograndense). Mas não projetou aquele sistema de efluentes. Foi uma empresa que projetou, ele assumiu. Acho que não devia ter deixado a Riocell usar o nome dele, porque era um aval para uma empresa. Não o acuso de corrupto. Eu lhe tenho admiração e o reconheço. Quando assumi a presidência da Agapan, homenageei-o fazendo-o presidente honorário da Agapan, o primeiro e único. Ele era excepcional, carismático, falava espanhol, alemão, francês e inglês. Não vai haver outro. Era um cara genial! Faz falta.
O ambientalismo é um fóssil vivo
A Agapan ainda está atuante e eu, quando solicitado, dou minha orientação, meus palpites. Mas a imprensa não dá mais cobertura, não temos mais visibilidade. O ativista perdeu relevo no processo.
Na chamada democracia, começamos a decair, pois a mídia começou a ter muitos focos de interesse. E a maneira de atuar que tínhamos, com mobilizações, saiu de moda.
Hoje a Agapan não faz mais aqueles protestos de levar cartazes e sair para as ruas, como antigamente. Só quem tem dinheiro, como o Greenpeace, pode fazer essas ações, mas o Greenpeace tem pouca ação local.
O nosso próprio sucesso nos chutou pra escanteio. As bandeiras que a gente defendia – proteção da natureza, coibir a poluição industrial – foram adotadas, mesmo que na maioria delas, só de fachada.
O nosso êxito, do ponto de vista formal, foi total, mas isso incomoda porque a gente sabe que, ao mesmo tempo, esses problemas não foram vencidos.
Claro, é ótimo que existam ONGs ambientalistas, que aliás, sobrevivem com muito esforço e mérito. Mas os objetivos já foram atingidos, o ambientalismo como movimento hoje pertence à história.
O movimento é como um fóssil vivo, porque todas as leis possíveis já foram feitas, para qualquer tema existe o Código do Meio Ambiente.
Princípios de respeito à natureza fazem parte do ensino fundamental, os órgãos ambientais – Fepam, Ibama – foram criados. Aliás, perdemos muitos militantes para o governo. E quando eles entram no governo se esquecem que são ambientalistas.
Houve uma enorme mortalidade de entidades ecológicas no Rio Grande do Sul e no Brasil. Além da Agapan, o [Núcleo] Amigos da Terra continua na ativa. Em Pelotas há o Centro de Estudos Ambientais, tem mais uma organização de Gravataí, mas são entidades de poucas pessoas, quando o ideal é uma participação maciça.
Ainda assim, fazemos o acompanhamento de diversas questões – nos conselhos estadual e municipal do meio ambiente, por exemplo –, que são as nossas lutas atualmente: a construção de barragens, a energia a carvão, transgênicos, a ampliação da Riocell.
O palco de atuação das ONGs ambientalistas hoje está nos quadros, isto é, dentro das instituições da sociedade, apesar de não estar subordinada ao sistema. É até mais proveitoso usar recursos legais como o Ministério Público e a legislação. É uma forma de luta contemporânea.
Não se pode mais agir como antes, através de manifestações, é preciso atuar dentro do foro legal, com advogados, análises científicas, pareceres, laudos. E a ecologia tem especialistas, profissionais em diversas áreas, que são os ambientalistas de hoje. Tem também amadores, gente abnegada.
O ativismo é fundamental, mas não está trazendo novidade. Quando tiver algo novo, o ambientalismo ressuscita em outro contexto. Hoje está correndo atrás da máquina.
Aqui no Brasil tem muita gente nova, mas no Sul, pelo menos, não surgiu nenhuma Magda Renner, nem um novo Lutzenberger. Não estou vendo novas lideranças parecidas. E se surgir, por que meio vão se expressar, o que vão ter a dizer? Quais serão as propostas?
Todo mundo sabe qual é a proposta: reduzir a devastação a um nível tolerável, que possibilite a recuperação. E que as tecnologias só sejam postas em prática se forem ambientalmente benignas. Por exemplo, nenhum produto poderia ser fabricado sem que houvesse um projeto bem delineado, berço ao túmulo.
Tem que voltar tudo para o meio ambiente. Outro: não dá para aceitar produção de energia pela queima de combustível fóssil. Pode ser gás, biomassa, que ainda assim contribuem para o efeito estufa.
Distorções no governo
O governo tem uma posição que é de fazer gestão ambiental e isso pressupõe prioridades. Se gastar em uma coisa, não tem dinheiro para outra, é preciso escolher. E aí começam as divergências.
De vez em quando se faz uma ação judicial para se impedir que a prioridade seja essa. E como estamos fora do governo, temos condições de ser independentes e julgar as coisas conforme pensamos, e não temos compromisso com cargos públicos, secretários, ambições de ser senador ou algo assim.
A ONG tem mais liberdade, teoricamente. Pode errar e se corrigir, voltar atrás. O governo muitas vezes faz escolhas erradas e tem que defendê-las, senão sofre muitos prejuízos políticos. O governo tem o controle do CONSEMA (Conselho Estadual do Meio Ambiente).
Isso não pode acontecer, a lei que estabelece a composição do Conselho deveria ser mudada. O gestor não pode fiscalizar a si mesmo. O governo não pode ter 60%, 70% das vagas de conselheiros. É um absurdo, uma questão de ética. Eu batalhei pela SEMA (Secretaria Estadual de Meio Ambiente), foi um progresso, mas ainda há muitos problemas. Estão facilitando os licenciamentos, relaxando nas normas, o que permite maior devastação e poluição. Avançamos na lei tudo aquilo que queríamos na década de 70, as leis estão aí, mas onde está a fiscalização?
Passar a gestão dos licenciamentos ambientais para os municípios é outro tema que não é fácil de resolver, pois muitas [cidades] vivem numa indigência financeira e não têm pessoas qualificadas. Por outro lado a evolução aponta para esse caminho. Espero que a cidadania das pessoas aumente, que elas votem nas pessoas certas e que funcionem os conselhos – são entidades muito poderosas quando trabalham de maneira correta, e têm a lei a seu lado.
Guaíba está no limite
Estão melhorando a Riocell aos poucos, envenenando menos o ecossistema aquático e terrestre. Eles ainda lançam efluentes no Lago Guaíba, onde continuam sendo os mais importantes poluidores. Estive revisando o EIA/Rima da duplicação, de 2002.
O que interessa é o chamado AOX, que são aqueles organoclorados. É uma barbaridade o despejo de organoclorados. As dioxinas, que são um dos AOX, são venenos em quantidades incrivelmente baixas. Precisaram inventar novas unidades para eles: trilionésimo de grama, quadrilionésimo de grama.
E a argumentação deles é que as dioxinas atingiram quantidades extremamente baixas. Mas a verdade é que não são medidas. E além das dioxinas tem outros organoclorados, dezenas, talvez centenas, todos nocivos à saúde. A toxicologia moderna não aceita o argumento de que as quantidades são baixas. Porque a água de consumo, leite, refrigerantes, tudo isso é com água do rio.
Então, são décadas de ingestão de microvenenos que no fim das contas vão causar danos bem palpáveis: má formação congênita, várias formas de câncer, várias formas de degeneração da matéria cortical do cérebro, como Alzheimer, Parkinson… Tudo isso são efeitos dessas substâncias.
Não é uma coisa que se possa despejar num lago que é um manancial, que já está bastante poluído, praticamente em estado pré-crítico, quer dizer, praticamente não tem mais condições de auto-regeneração.
Se levarmos em consideração as secas periódicas, a poluição por agrotóxicos, principalmente herbicidas nos arrozais, poluição por esgoto in natura. Até o esgoto tratado, que é um eufemismo para dizer cocô, assim, menos fedorento e com menos possibilidade de ter bactérias e outras coisas mais… O ecossistema do Guaíba está num estado muito ruim, qualquer coleta de peixes dá anomalias morfológicas importantes – perda de escama, coluna vertebral deformada, um monte de má formações. E isso já tem 15 anos ou mais.
Esse ecossistema está muito comprometido, não deveria receber mais nada, mas segue recebendo despejos industriais de diversas empresas, tem, por exemplo, a siderúrgica em Sapucaia, o Pólo Petroquímico… Por enquanto não dá para imaginar um mundo sem papel, mas isso contribui para a devastação planetária. E o Lago já está com uma recuperação muito difícil, bota mais uma fonte de poluição e o estado fica crítico, irrecuperável. Quer dizer, o rio Tâmisa era irrecuperável, mas… Se bem que ali eles botaram um dinheiro firme, coisa que aqui nós não temos.
Somos cúmplices
Todos nós vestimos, comemos, consumimos papel, chips de computador… E o chip de computador, pouca gente sabe, é uma das coisas de produção mais ambientalmente
agressivas que existem. A gente se sente cúmplice do processo. Tem um personagem publicado nos Estados Unidos, um animalzinho chamado Pogo, que fala tiradas filosóficas. Numa dessas ele disse: “Encontrei o inimigo!… Somos nós” (risos). É isso mesmo. Somos nós, o ecologista, o industrial, o trabalhador…
Vou contar o que me disse um dirigente dos trabalhadores da construção civil, num encontro, há muitos anos, sobre o Plano Diretor de Porto Alegre. A gente estava vendo que com a concentração de grandes prédios, aquela massa de concreto, tinha que instalar todo tipo de adutor: água, luz elétrica, telefone. Então tinha que restringir. Diz o cara para mim, com um ar brabo: “Quanto mais alto melhor!”… Fala com o trabalhador da indústria do carvão: ele quer matar quem diz que o carvão é ruim. Não posso condená-lo, é realmente a sobrevivência da família dele. Então, a solução a curto prazo são medidas remediais.
Vamos fazer um Plano Diretor: tal zona não pode ter arranha-céu – no fim acaba indo para lá. Tem que ter um cinturão verde ao redor de Porto Alegre – mas isso acabou, a indústria da construção civil conseguiu acabar com a área rural de Porto Alegre. Então, estamos perdendo essa guerra.
Mas veja, eu uso muito papel. É aí que entra nossa cumplicidade, estamos amarrados à forma de vida da civilização ocidental. E o que está acontecendo é uma coisa bem antiga: o primeiro mundo está colocando no terceiro as fábricas de alto consumo energético e dano ambiental. E aqui o pessoal baba de gozo. “Ah, vamos fazer estrada para vocês, vamos colocar energia elétrica…”. Tudo isso tinha que ser repensado. O Rio Grande do Sul tem tanta potencialidade, produtos agrícolas… Não dá para sintetizar grãos, sintetizar carnes, sintetizar água. E nós temos água. A China, que é o maior pesadelo produtivo do mundo, não tem, estão bebendo aquela água que o “diabo” perfurou. Os rios deles são poluídos. Nós exportamos nossa água, em forma de grãos. Mas está bem, a maior produção ainda está na nossa mão.
O Lutzenberger que falava da importância do pequeno agricultor, da agricultura familiar. Acho que o processo não deveria ser feito com essas espécies que demandam enormes superfícies… São tantas coisas para avaliar que precisaríamos de uns 20, 30 especialistas em tempo integral trabalhando. Quem é que vai pagar isso? Tem que ser um cara aposentado como eu, que acumulou uma vida de estudos para poder dizer alguma coisa de algum setor e dê alguns palpites sobre o geral.
Transgênicos
Volta e meia o Conselho Estadual de Saúde me aciona, pediram, por exemplo, minha opinião sobre transgênicos e eu fiz um parecer. Sou contra os transgênicos da atual geração, acho que eles precisam melhorar, pois oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente. Eu não sou contra a transgenia, só acho que ela está num estágio ainda preliminar. O laboratório pega genes de peixe e bota em planta, genes humanos em galinha e assim por diante, o que implica em conseqüências para o meio ambiente.
A técnica mais usada não é estável. Não sou contra a tecnologia médica, curar doenças incuráveis por tecnologia é fantástico. Mas a primeira geração de transgênicos precisa se tornar mais segura.

 

Fonte: http://seculodiario.com.br/25767/14/maldita-samarco

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