Controle de agrotóxicos, quando começaremos?

O Brasil é um dos primeiros colocados no ranking mundial do consumo de agrotóxicos. De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola, ultrapassamos o volume de um milhão de toneladas de veneno jogados nas lavouras brasileiras em 2010. Pior que isso, estudos do Centro Estadual de Vigilância em Saúde com base em informações coletadas sobre a safra 2009/2010 estimaram já naquela época que o consumo de agrotóxicos por ano no RS era de 8,3 litro/hab. Enquanto isso, estudos da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) indicaram que, em 2011, a média do país foi de 4,5 litros por habitante. Ou seja, por aqui, consumíamos a época praticamente o dobro do volume nacional. Desde então, você arriscaria dizer que a situação melhorou?
No mapa do Rio Grande do Sul, o noroeste do Estado, principal região produtora de grãos, apresenta os maiores volumes de agrotóxicos por quilômetro quadrado. O quadro mais grave ocorre na Bacia Hidrográfica do Alto Jacuí, que com a leitura de dados da safra 2009/2010 já indicava consumo equivalente a 33,2 litros por habitante. O Jacuí é apenas um dos cinco rios a alimentar o nosso Guaíba. A partir daí é possível imaginar a dimensão e importância do desafio que se apresenta hoje.
 
Um elaborado dossiê foi publicado pela Abrasco em 2015 apontando o Rio Grande do Sul como o 4º estado com maior consumo de agrotóxicos. Para se ter dimensão dos danos com os quais estamos lidando, eles se estendem desde alterações químicas nas chuvas até a amamentação materna. Isto porque parte dos agrotóxicos utilizados tem a capacidade de se dispersar no ambiente, e outra parte pode se acumular no organismo humano, inclusive no leite materno. Mas qual o argumento de defesa?
Designar os agrotóxicos como defensivos agrícolas é o artifício retórico mais utilizado para dissimular a natureza nociva desses produtos. Por um lado, se sugere que os agrotóxicos supostamente protegem os cultivos, por outro, oculta os efeitos deletérios desses produtos sobre a saúde humana e o meio ambiente. Ainda na década de 1980, um extenso debate foi desencadeado por ocasião das questões sobre a regulação do registro e uso dos venenos agrícolas no Rio Grande do Sul, resultando na criação de uma legislação estadual específica que oficializou o conceito de agrotóxico, fato posteriormente repetido em âmbito federal por meio da promulgação da Lei 7.802/89.
Ajude-nos a divulgar esta realidade, compartilhe esta publicação e procure mais informações. O próprio Dossiê da Abrasco está disponível online na íntegra, confira! A informação, quando disseminada, faz do argumento do povo um elemento chave de mudança.

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