CETTRALIQ comprova: Mineração não é uma opção agora

Após uma série de reportagens fica a dúvida: Quanta coragem é necessária para abordar a mineração agora? Se você está perdido na história, aí vai um resumo. Em entrevista à Zero Hora, Ana Pellini, secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM), declarou que Porto Alegre pode ter “certa dependência” da CETTRALIQ, única empresa habilitada a tratamento de efluentes industriais na capital e cuja atividade pode ter relações com as alterações recentes na água. Sabe aquele cheiro e cor dos últimos dias? Pois então.

Paulo Carneiro, pesquisador do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), avaliou em uma das notícias que uma afirmação como essa não pode ser feita, já que não existe meio termo: “… é preciso cumprir as normas ambientais. O órgão ambiental não pode ter comportamento de dependência em relação a nada. Isso pode ser um atentado à saúde pública!

A CETTRALIQ, que já foi multada pela FEPAM em vistorias anteriores, também se manifestou em seu próprio site, conforme o informativo abaixo:

cettraliq[2]“A CETTRALIQ, empresa de tratamento de efluentes, em razão da notícia veiculada no jornal Zero Hora do dia 13/07/2016, afirma que adota as melhores tecnologias disponíveis, cumpre com os padrões fixados na legislação ambiental, é licenciada e fiscalizada pela FEPAM, e vistoriada pelos demais órgãos ambientais, bem como, informa que os efluentes tratados, lançados na rede de esgotos de Porto Alegre não contém elementos capazes de causar o impacto sentido, neste período, nas águas do Município. Em relação à possibilidade de presença de bactérias nas casas de bombas da Prefeitura, a empresa, internamente, de forma preventiva e voluntária, adicionou no seu processo medidas de controle deste parâmetro, não previsto na sua licença de operação.”

Tal posicionamento foi seguido por uma retratação da secretária, que declarou:

“Não é a Fepam, é a sociedade (que depende da empresa). Não dependemos dela para nossa manutenção. A taxa de licenciamento dessa empresa não causaria um abalo financeiro à Fepam. Talvez a palavra que eu tenha usado seja errada, para dizer que, se o Rio Grande do Sul quiser que empresas menores se instalem no Estado, vai ter que oferecer esse serviço. Sem a Cettraliq, teríamos de caçar diversas licenças.”

Até aí, muito bem dito, parece que a culpa não é de ninguém, que as alterações na água seguem sem responsabilidade, como ato divino. Até poderia ser, não fosse a seguinte declaração ao final desta retratação:

“A Cettraliq já está ali há muitos anos. […] É a localização ideal? Claro que não é. Assim como não é ideal ter a captação do Dmae em um ponto tão poluído. Mas tenho certeza de que, se pudéssemos fazer escolhas hoje, as coisas seriam diferentes.

Aí é que está o ponto. Nós podemos fazer escolhas sim! Muito antes de pensarmos em aceitar um estudo sucateado como o Zoneamento em debate atualmente precisamos dar atenção a estes pontos. Dependências, sejam da FEPAM ou da sociedade, precisam ser debatidas. Opções para lidar com a situação atual precisam ser discutidas. Somente com um cenário muito melhor do que o atual um estudo APROPRIADO para atividades econômicas poderá ser realizado.

Nós precisamos ter mais do que o mínimo necessário antes de piorar consideravelmente uma situação que já não vai bem. É por isto que lutamos. Junte se a nós. Não continue matando o que você bebe, venha nos acompanhar nesta luta!

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